Projeto VIVA +

quarta-feira, 19 de abril de 2017

JOGO DA BALEIA AZUL

QUAL O PROPÓSITO DESTE JOGO ?



Este jogo (assim como as drogas e o álcool) encontrou um "filão" à ser explorado, que é o de encontrar jovens que desejam "acabar" com seu sofrimento, mas não tem coragem de fazê-lo.

Os jovens que já tentaram o suicídio (consumados ou não), por conta desse jogo novo, já vinham sofrendo antes mesmo de se envolver, por razões pessoais e emocionais.  Na verdade entraram no jogo justamente em razão do sofrimento deles.  Eles entraram no jogo pra morrer, pra acabar com a dor e pra isso estão dispostos à cumprir todos os 50 desafios do jogo, para se chegar ao desafio "final", que é o de tirar a própria vida.

Não deve ser difícil pros pais, observarem nos filhos, se eles estariam participando desse jogo.  Alguns comportamentos podem denunciar mudança de "hábito" por causa do jogo, tais como:


1) Comportamento passivo (como se escondesse algo):

 Essa postura pode significar silêncio, em esconder o que está fazendo.  Pode também indicar dificuldade do jovem em se abrir com os pais (não apenas em razão do jogo), mas por qualquer outro problema que esteja passando ou venha passar. Pode haver a possibilidade do jogo obrigar seus participantes ao silêncio, isto é, de cumprir os desafios sem que ninguém saiba ou descubra.

2) Quase sempre calado e introvertido:

É bem difícil, com os braços cortados e submetidos à desafios dolorosos, ficar de bom humor.  Ele prefere ser de poucas palavras, falar apenas o necessário sem estender conversa com ninguém, até porque está preocupado em cumprir e descobrir qual será o próximo desafio. 

Um fator que muito propicia a continuidade do jovem, no jogo, é o "ambiente", ou seja, as relações do jovem dentro do lar, com a família (e até com demais parentes).  Enquanto os pais e familiares não souberem ou se quer, desconfie de que ele (ou ela) esteja no jogo, continuarão à portar-se da mesma forma(...), o que pode influenciar o jovem à continuar ou repensar sua determinação em continuar no jogo (independente dos motivos).  

Observe os 50 desafios desse jogo na internet, e preste atenção no comportamento dos filhos, se mudou repentinamente e de forma insistente.  Uma coisa que os pais devem se atentar:  Quem começa esse jogo, não vai querer parar, porque o propósito não é jogar e sim, tirar a própria vida, porque essa decisão (ao menos num primeiro momento) já está tomada. 

3) Sempre isolado, trancado no quarto.

É natural que se porte dessa forma, afinal, precisa acompanhar o jogo de forma secreta, até o "final", seja pelo computador, Tablet ou pelo celular.  É possível que ele não queira utilizar o celular na frente dos outros e preferir ficar reservado, no quarto ou mesmo afastado de um grupo, seja de parentes ou amigos. Preste atenção se em horários certos (e diários) ele prefere estar sozinho no quarto. Observe o tipo de vestuário, se acaso está adequado ao momento ou temperatura ambiente ou da rua (pode estar querendo esconder alguns cortes feito nos braços).  Febres podem surgir, em decorrência dos cortes, principalmente se infeccionarem em decorrência do objeto cortante utilizado.  Quem está "jogando" já não se atenta à certos "detalhes".
Porque jogar, se vai se matar ?

Porque os jovens não tem coragem de se matar.  Na verdade a ideação suicida é involuntária (inconsciente), bem como os motivos para fazê-lo.  O jogo da baleia vai destruindo aos poucos a resistência natural de não querer se matar, minando a coragem através dos desafios de auto mutilação, até que chegue ao ponto de não haver mais nenhuma resistência.

RECADO AOS PAIS

Não é apenas observar que vai prevenir, é preciso mais do que isso.  É preciso chamá-los para conversar, avisar desse jogo e dizer que são jovens com sérios problemas emocionais que estão sendo atraídos pelo desejo de ver acabado seu sofrimento. Peça que avise os amigos sobre os riscos.  Os desafios os faz se sentir que estão sendo punidos por serem fracos em não suportar a dor que os levou ao jogo e, em razão disso acreditam estar se purificando antes de morrer.  Essa suposta fraqueza é inconsciente e não exatamente deles, portanto, não há a menor culpa ou responsabilidade deles quanto à isso.

Sejam honestos com eles e, se for caso, desculpar-se por se manterem distante deles, por razões de trabalho ou qualquer outra atividade.  Diga-lhes que apesar de quase não se verem (por uma vida corrida), que não é motivo pra não se falarem e conversarem, sobre qualquer assunto que seja e que prefere que sejam os pais os primeiros à ser procurados e que não haja necessidade de se falar com mais ninguém.

São questões emocionais sérias que desestabiliza os jovens e os deixa vulnerável à baleia, drogas, álcool, Bullying (dos 2 lados), e outros mais e é o ambiente o responsável por promover tanto uma harmonia quando um conflito e desavença familiar, podendo sempre, ser tarde demais para se reverter.

Não importa a cor dessa baleia, porque essa Moby-dick vai fazer um grande estrago na vida dos seus filhos, se vocês não despertarem agora, hoje, pra perceber que o piloto automático deles está com defeito ou desatualizado.  A prevenção desse mal se dá de forma indireta, amando os filhos de verdade e não tratando-os como de estimação.

Professor Amadeu Epifânio
Pesquisador / Psicanalista Auto Didata

PERSONALIDADE REATIVA COMPORTAMENTAL
Influência Pregressa em Respostas Emocionais

                                                                                                    
              Corrigindo Passos para um Caminho + Seguro.  

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sexta-feira, 14 de abril de 2017

PÁSCOA É COMPROMISSO ! ! !


A PÁSCOA DEVE DURAR O ANO INTEIRO



      UMA FELIZ PÁSCOA 
    E UMA CONSCIÊNCIA 
     TRANQUILA E RENOVADA
PARA TODOS.

Professor Amadeu Epifânio

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Cartilha do Autista




        


CONHECENDO MELHOR O AUTISTA



Por: Professor Amadeu Epifânio
                                                            Pesquisador / Psicanalista Auto-Didata


Primeira tarefa - Conhecer o universo dele.

Entender o autismo tem sido o grande desafio para pais e médicos.  Não apenas por mera curiosidade, mas entender essa realidade favorece e contribui para os recursos que devem ser utilizados no tratamento.   Entretanto, mais do que tratar, é necessário haver um propósito pelo qual se deva seguir, à fim que se atinja um resultado que promova, não apenas o bem estar do autista, mas também uma possível autonomia independente.  Estar dependente de outros para realizar tarefas que pudesse realizar sozinho, é sempre constrangedor para qualquer pessoa, de forma que acredito que seja esse nosso maior objetivo, não apenas para com um autista, mas para com alguém que amamos muito.

Com propósito é mais fácil mensurar .

É visível a percepção da falta de algo, que nos possa dar a idéia do quanto já se percorreu e o que ainda precisa ser feito para se atingir o objetivo.   A evolução e progresso do tratamento autista, está condicionada à forma e constância com que o trabalho é feito e com que objetivo.  Já tive a oportunidade de poder ver um autista adulto, o qual ainda gemia como bebê de poucos meses, simplesmente porque não foi trabalhado.   Ele não regrediu, apenas não progrediu. O foco do trabalho deve estar centrado de dentro pra fora, ou seja, é o nosso inconsciente quem precisa primeiro, ser convencido (antes do consciente), de que o ambiente é seguro.   O autista é um casulo fechado, uma ostra, de medroso à apavorado, proporcional à intensidade da experiência auditiva em que foi submetido.
O tratamento, na verdade, consiste em fazê-lo conhecer-se aos poucos, mostrar confiança, diminuir seu medo, seu pavor (trazido de dentro do útero).  Por isso muitas vezes se costumava dizer que o autista vivia em seu próprio mundo, um mundo alternativo imposto pelo inconsciente, para fazer o corpo parar de sofrer.  Mas o autismo regrediu, não é mais tão severo como anos atrás.  Se aparenta ser difícil ou impossível, é apenas um termômetro de que não está se conseguindo trazê-lo de volta, com as abordagens presentes (ou ausência).  Pode se estar trabalhando com uma idade mental menor do que o esperado.

Um pequeno detalhe faz uma grande diferença.

Uma grande falha no trato entre pais e filhos pequenos, está no fato de querer entender a criança com a visão de adulto.  Essa visão também deve atrapalhar no trato com o autista.   O autista é uma criança pequena e como tal deve ser encarado e entendido, para se ter uma melhor dimensão de como tratá-lo e quais os recursos mais apropriado à sua dificuldade cognitiva. Tudo que uma criança passa, o adulto já passou (e ainda passa), mas que nem por isso se vale de suas experiências para entender os pequenos.  Os primeiros passos devem englobar disciplina e obediência, mas não apenas quando preciso, mas o tempo todo, para condicionar o autista ao hábito da obediência.  Isso será fundamental para o processo de aprendizado de outras lições.

Entendendo o que houve.

Vejam uma coisa: Quando somos surpreendidos por um enorme estrondo, (como uma explosão por exemplo), nós nos escondemos e aos poucos vamos saindo do abrigo, à medida que vamos ganhando confiança no ambiente.  O autismo tem comportamentos variados entre portadores, isso porque cada transtorno tem relação com histórico de vida de cada um.  Pode também ter causas diferentes, mas que nem por isso deixaria de ser psicológico. 

Fatores comuns como causa do autismo:

1º - Ocorre ainda dentro do útero; 
2º - Após completada sua formação (inclusive do cérebro);
3º -Que o evento ocorrido envolveu forte estado de tensão no feto, à ponto de levar o    inconsciente à promover uma espécie de "clausura" para protegê-lo.

É grande a suspeita que, o que tenha ocorrido esteja relacionado à uma ocorrência de natureza auditiva, razão pela qual o autista ter grande sensibilidade à sons elevados (como muitas pessoas falando ao esmo tempo).  Além disso está o fato de o autista (quando em crise nervosa), procura atingir a cabeça, com socos, tapas ou mesmo bater a cabeça contra a parede.  Isso não é simplesmente uma crise nervosa e sim, que ele (da sua forma), está tentando nos dizer a parte do corpo (no caso o ouvido) que o deixou perturbado.  
Mais uma coisa:  Procure identificar a idade mental e cognitiva do autista, seja ele criança, jovem ou adulto, para que o tratamento seja direcionado ao seu grau de dificuldade.  Cada idade corresponde à abordagens e recursos diferenciados, à serem aplicados tanto no aprendizado quanto da comunicação.   Quanto mais precoce for o diagnostico, mais cedo os progressos virão.  Os primeiros 3(três) anos de idade de uma criança são cruciais para se identificar algum tipo de problema psicológico ou de natureza psiquiátrica, que por ventura tenha adquirido. 


Reza a lenda que todo cuidado é pouco.

Todo comportamento fora de um padrão considerado normal para uma criança, deve ser logo investigado.  Inicialmente para se saber se será ou não necessária a consulta ao pediatra.  Segundo porque pode ser indício de algo mais severo. 

O que não se pode fazer é negligenciar, achando não ser nada demais.  O que pode (dependendo do caso) se agravar ainda mais.   Quanto à gestação, as mães precisam estar mais atentas durante todo os nove meses.  O velho e antigo resguardo seria muito apropriado, pois representaria uma condição segura para o feto durante todo seu período gestacional, uma vez que estaria menos vulnerável à incidência de riscos e perturbações que poderiam ser prejudiciais ao seu desenvolvimento e formação como um todo.

Entretanto, nos dias atuais, onde a gestante mantém suas atividades até o último minuto que lhe for permitido ou até o rompimento da bolsa ou até data programada para uma cesária, não é totalmente impossível que a mãe (e conseqüentemente o feto) passem por situações de susto, estresse ou tensão, em decorrência de eventos inevitáveis, como quedas, escorregões e discussões (das pequenas às mais tensas).

Nessas horas (e imediatamente após), é recomendável que mãe gestante procure um ambiente tranqüilo e seguro, acomode-se em local confortável e comece à conversar com o bebê acariciando a barriga, à fim de poder tranqüilizá-lo pelo que passou.  Se a instabilidade for uma constância, o inconsciente pode adotar o ambiente (útero) como inseguro e a criança já nascer com um pé atrás, numa estranha apatia com a mãe, cuja a qual a filha não saberá explicar sua existência.   Ninguém faz nada se não em razão de algo que o motive.  Fixe-se nessa regra.

Acalmar o feto já possibilita a diminuição do estresse e insegurança sentido pelo ele, especialmente se já tiver no seu quarto ou quinto mês de gestação, quando todo o corpo já está formado, inclusive o cérebro e, junto com ele o surgimento do seu inconsciente, que passa imediatamente à cuidar e proteger o indefeso corpo que o abriga.   Acalmar o feto também reduz as chances de vir à constituir algum tipo de transtorno (ou torná-lo menos severo).

O que acontece dentro de nós ?

Nosso inconsciente é administrado por dois personagens, que trabalham de forma alternada.  A prioridade de governo é sempre do lado racional (o Ego).  À ele compete dar-nos as respostas racionais necessárias e exigidas em cada demanda (necessidade);  resposta essa que só se valerá se já estiver inserida em nosso banco de dados (nosso acervo).  O outro personagem é o administrador imaturo (o Id) que representa os nossos impulsos, ou seja, o responsável por aquelas ações que juramos de pé junto que não tivemos intenção de fazê-lo. 

Ambos (Ego e Id) se valem do que o corpo tiver adquirido para retribuir-lhes como respostas em momentos oportunos.  Ao Ego compete valer-se do que tivermos adquirido entre conhecimento e informação, para que possamos obter em tempo hábil, a ação apropriada, da forma exigida (física ou verbalmente).   Contudo, há momentos que não dispomos de tal resposta, o que irá nos gerar sensações desagradáveis, como ansiedade, medo ou desespero.  Isso promoverá uma "troca de guarda", do Ego para Id, sem aviso prévio nem consentimento nosso.

O Id, por sua vez, não irá perder tempo procurando resposta na mesma fonte do Ego, pois sabe que este já não achou o que precisava.  Resta ao Id (que tem a mesma função do seu colega, de promover o equilíbrio psíquico do corpo que o abriga), conseguir uma resposta à altura da intensidade (já elevada pela falha do ego, além do seu momento), que também deverá estar disponível e acessível. 

O que o Id promoverá, diante de uma situação de aparente emergência, será uma opção alternativa, acessível e a mais apropriada ao intenso momento, dentro dos recursos disponíveis que estiverem ao seu alcance, como a utilização do próprio corpo ou força física, manifestações emocionais (crises de choro e de nervos), irritabilidade (quando não, agressividade física ou verbal).  Uma demonstração clássica está nos enfrentamentos entre torcidas organizadas.   No autista, em razão de sua dificuldade em comunicar-se, é natural que demonstre humor irritado, sempre que não conseguimos identificar ou traduzir o que ele está tentando nos dizer.

A visão psicanalítica é importante para interpretar reações e manifestações, que para muitos é impossível entender e que, por essa razão, acarreta verdadeiros atrasos em educação e tratamentos de naturezas diversas, especialmente com portadores de espectro autista.

O Autista precisa galgar segurança.

O autista precisa, primeiro, ganhar confiança nas pessoas próximas, depois no ambiente em que está.  O autista é um ser desprovido de conhecimento que o possibilite estabelecer contato de forma satisfatória.  Para isso sugiro que se faça um catálogo de figuras representando momentos do dia a dia e necessidades, como pedir água, ir ao banheiro, tomar banho, brincar, assistir TV, passear, etc. Válido tanto para o autista quanto para os familiares, para facilitar a comunicação entre ambos, sem precisar ficar fazendo mímica pra tentar comunicar-se.   Pode tirar fotos pelo celular e mostrar;  imprimir ou desenhar, de acordo com os recursos de cada um. 

Mais do que mostrar a imagem é crucial que se mencione o significado, para que por processo associativo, o autista possa absorver a informação de forma mais completa e com maior rapidez.  O que se espera é que ele começará à dizer as palavras chaves, como "passeio", "banheiro", etc.  Não podemos esquecer que, por mais idade física que tenha o autista, estamos lidando com a idade mental de um bebê de poucos meses.  Isso certamente envolve paciência e determinação (ingredientes cruciais no processo de tratamento).   É a preparação para um segundo e definitivo nascimento dele.

Entendendo as reações.

Ao contrário do que possamos imaginar, bebês tem sentimentos e quanto maiores se tornam, mais esses sentimentos ficam aguçados e (porque não dizer), potencializados.  A manifestação desses sentimentos ficam à cargo do Id, por não tratar-se de conhecimento e sim, de um sentimento ou (mesmo que ainda precoce), de uma experiência emocional.  Um bebê manifestar irritabilidade já é difícil entender, fazer isso no corpo de uma criança com idade física maior, é ainda mais complicado.  

Existe neles uma resistência natural que pouco a pouco vai sendo quebrada, à medida que ele vai interagindo com o ambiente acolhedor.  O autista (de idade física) vive dividido entre a mente infantil e as crises que provém do período intra-uterino, quando lhe ocorreu o evento que lhe gerou o autismo.  É a criança, jovem ou adulto, com idade infantil, com crise de quando feto.  Os progressos no aprendizado, aos poucos farão diminuir essas crises, pelo fato dele manter-se seguro na sua vontade e autonomia.

Nos primeiros meses haverá mais manifestação física/emotiva, em razão de pouco conhecimento e discernimento adquirido pelo autista.  Ausência essa que fará falta na tentativa de manifestar aos pais ou cuidadores, que está sentindo ou querendo.  É preciso entender que manifestação de irritabilidade no autista dá-se em razão de algo que ele não entende e não por não entender não aceita, simplesmente porque ainda não aprendeu "essa lição" (e não porque alguém está falhando com ele).

A idade mental é tão sensível quanto o pequeno corpo de um bebê. No autista permanece a sensibilidade.  Assim como conversamos com o feto na barriga ou com o bebê depois de nascido, com o autista se faz crucial o mesmo diálogo, para que ele se sinta mais calmo e corresponda melhor.

Nem todo desenho animado é inocente.

  Bebês estão cada vez mais curiosos com o que vêem à sua volta, muito embora não saibam descrever, por não terem ainda aprendido.  As informações simplesmente entram sem destinação definida.  Mas ficam à disposição. Prova disso está na TV que fica ligada o tempo todo no quarto, geralmente com alguma programação infantil que, cá pra nós, já não é mais tão inocente como Vila Sésamo e outros programas antigos.  Mesmo os desenhos animados (supostamente infantis) de hoje, acabam retratando boa parte do cotidiano, como falas e atitudes rebeldes, debochadas, vingativas e até agressivas.  

O bebê ou criança está vendo e absorvendo tudo que se passa, ficando armazenado e sempre à disposição do inconsciente.  Ficamos surpresos quando vemos no Facebook, vídeos de bebês fugindo do berço ou fazendo verdadeiras "acrobacias" em companhia de outros bebês.

É sempre recomendado a presença de um adulto (quando possível) quando se está assistindo a TV.   Melhor ainda que nem deixe a TV o tempo todo ligada ou que encontre ou ponha nela uma programação mais inocente ou inofensiva.  Lembremos que o autista, antes de ser autista é uma criança como outra qualquer, sujeita aos mesmos hábitos e preferências e que, às vezes, possa influenciar e interferir, quando se está tentando ensiná-lo. 

Outra curiosidade.  É comum, mesmo para nós, adultos, lembrarmos de fatos passados, quando vemos televisão ou à andar pela rua.  Uma coisa que eu chamo de método associativo e está sempre presente.   É esse método associativo que também dispara crises de transtornos psiquiátricos, provoca oscilações de humor (até mesmo irritabilidade) ou reações alegres, dependendo da lembrança.   Fixa a idéia que o progresso é possível e deixá-lo como uma pessoa normal também (ou muito perto disso).   A primeira meta é torná-lo autônomo para o básico, como se faz com uma criança de idade mental semelhante, como ensiná-lo à ir ao banheiro, de pedir, chamar, aprender à fazer sozinho.  

A própria constituição da criança ajuda nesse processo.  Nosso inconsciente está em constante busca de conhecimento que possa enriquecer o nosso acervo, que será oportunamente utilizado em nosso favor.  Lembre-se que, sem falarmos nada, a mente está sempre absorvendo informações como um aspirador, de forma que, se não pusermos neles nada de valoroso, a cabeça dele irá virar uma lata de lixo, cheio de informações inúteis que não servirão pra nada, quando for preciso.

Não se deve esperar pra ensinar.

Muita gente espera as crianças crescerem, porque acreditam que mais tarde e mais crescidos será mais fácil ensinar.  Só que se esquecem que até chegar à idade desejada, eles já virão cheios de informação, que acabará dificultando o aprendizado, o que irá requerer mais compreensão, tempo e paciência (coisa difícil nos dias de hoje).  Os primeiros anos são essenciais para ensinar os primeiros passos, como disciplina, hierarquia, regras e respeito.  E não será necessário imposição, porque quando pequenos eles ainda estão mais absorvendo que questionando.  O mesmo ocorre com os autistas.

Estou fazendo esse comparativo, do autista com criança sem autismo, porque ambas são crianças em desenvolvimento, sendo o autista por uma limitação apenas psicológica (não neurológica).  Tomando por base o comportamento de outras crianças, bem como alguns "percalços" que elas encontram pelo caminho, poderemos aplicar tanto nelas quanto na criança autista, o mesmo princípio e preocupações relatados até aqui.

  Como já foi dito, o inconsciente tem a premissa de promover o equilíbrio psíquico do corpo que o abriga, como sendo este o seu transporte e tudo fará pra que isso seja sempre possível e acessível, tal como é necessário a manutenção do nosso carro ou de nossa saúde.     A grande questão (conforme já foi dito) é que ele só pode fazer isso com o que tiver disponível, com o que nosso corpo puder dispor, entre conhecimento, informação e "bagagem emocional" (nossa caixa preta das experiências emocionais), vivenciadas ao longo da vida, desde a fase intra-uterina.  Esta não é exatamente uma ferramenta à disposição, pelo contrário, ela é mais uma chance de provocar um curto-circuito em nós.

Tudo que fazemos, como estudar, trabalhar, cuidar da casa, sair com os amigos, tudo isso pode ser influenciado por nossas experiências emocionais, vivenciadas ao longo de nossa vida.  Elas basicamente determinarão o nosso temperamento, sobre nossas palavras e atitudes.

Uma curiosidade que ninguém sabia.

O ser humano é também dotado de duas "caixas pretas", tal como em grandes aeronaves.  Nela, uma caixa registra os últimos 30 minutos de conversa entre os pilotos, enquanto na outra os últimos comandos da aeronave.  No "homem" é um pouco diferente. Uma delas registra todo conhecimento e informação adquirido ao longo da vida e na outra, todas as experiências emocionais vivenciadas.  Boas e ruins. 

É o conteúdo aritmético dessas caixas que irão, praticamente, determinar a personalidade e temperamento de uma pessoa.  Evidente que não há, por parte da pessoa, o entendimento consciente da questão.  Ela simplesmente irá agir segundo suas próprias convicções.

No autismo, o que influencia não é só a quantidade aritmética e sim, um conteúdo específico potencializado, capaz de interferir no emocional do feto, durante a sua constituição.  Ao ocorrer este evento, causando enorme perturbação, o inconsciente imediatamente entre em cena para proteger seu corpo de uma dano ainda maior.   A perturbação é quase 100% auditiva e excessivamente elevada para um feto, que ao deparar-se com o estrondo, o inconsciente o faz fechar-se em si mesmo, como dentro de uma ostra, à se proteger do que tanto o assustou.  Um comportamento comum em portadores é quando eles batem na própria cabeça, sinalizando o medo auditivo que sofreu enquanto no útero (já formado).

Em proteção ao corpo, o inconsciente o manterá assim, até que tenha certeza que o ambiente externo está seguro novamente.  O que irá levar certo tempo, por ter ainda uma idade (fetal) que em nada conseguia entender e portanto, sem nenhuma referência de quanto tempo pode levar para se soltar novamente.   Isso não significa dizer que levará muito tempo, coisa que o trabalho, o amor e a dedicação, logo fará e O tempo é grande aliado.

O tempo estará sempre à favor, porque como estamos sempre absorvendo informação e conhecimento e, todo conhecimento há de ser útil e proveitoso (desde que direcionado à este propósito), que é o de promover o segundo e definitivo nascimento do autista, para descobrir a vida e do quanto poderá usufruir quando estiver apto, autônomo e independente.  A formação de conteúdo deve ser o mais aritmético positivo possível, pois de outra forma o trabalho ficará mais exaustivo.

Vejam, o que separa um autista de uma criança normal é o trauma e sua idade física (em desconformidade com a idade mental). Ambos, pais e autistas, estão com o mesmo desafio, que é entender entre si, o que está acontecendo.  Aos pais estou cumprindo esse papel, de fazer conhecer o problema, sua origem e saber que pode ser reversível, que não é estacionário.   Agora compete aos pais passar essa informação ao filho autista, através da dedicação, afeto e compromisso, de levá-lo à sua autonomia.

O que nos diferencia são os olhos.

Eu costumo sempre dizer que o que nos diferencia não é o tipo, tamanho ou quantidade de problemas que temos e sim, a forma como encaramos e lidamos. É isso que faz toda diferença.   Precisamos mudar a forma de ver e conduzir o tratamento, agora com um propósito.   Quando almejamos um objetivo único e final, corre-se o risco de demorar muito, por achar que pode ser impossível.   Quebrar o objetivo por etapas torna-se mais fácil alcançar e ganhar fôlego para a próxima etapa e assim sucessivamente, até que esteja concluída. 

É preciso estabelecer o objetivo (ou se lutará a vida inteira sem saber quanto já se lutou e quanto ainda falta).  Qual o objetivo (imagino) que deve ter com o autista ?  Torná-lo apto à desenvolver de forma autônoma, as tarefas de sua vida independente.  Para isso existe ao menos, duas etapas:  aquela em ele ainda não pode ajudar e a etapa em que ele já pode interagir.  Dessa forma será muito mais gratificante para todos.  




Agora sabemos o que precisamos fazer e para qual propósito.


" Confia no Senhor as tuas obras,
e terão bom êxito os teus projetos"

(Provérbios 16, 3)





domingo, 26 de março de 2017

A FAMÍLIA !


O Epicentro de Tudo.


Tudo que pudermos imaginar de errado no mundo, não tem sua origem em cargos, patentes ou classes sociais.  A origem é sempre no homem (o ser humano), sua constituição, formação, educação e orientações de natureza diversa (não escolhido por si próprio, mas por seu inconsciente), em compensação à diversidades, cuja qual não consegue lidar nem aceitar.

Praticamente caímos no velho dilema de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, ou seja, quem é culpado ?   O "homem" como pai ou, como filho ?  Onde começa o erro ?  Não importa o cargo ou função que ocupe, numa empresa ou na sociedade, ele será sempre reflexo de sua formação e de suas crenças e, mesmo que não queira, acabará sendo influenciado por eles.  O resultado é o que vemos ao nosso redor.

O que temos hoje é uma epidemia hereditária de formação contaminada por hábitos errados, posturas arbitrárias e omissas, decisões antidemocráticas, referências institucionais praticamente falidas e sem um padrão familiar (exemplar) que valha à pena ser seguido.  Resultado, o que os filhos absorve é uma infinidade de "lixo" cultural, que em muito pouco (ou nada) os ajudará à lidar com suas frustrações e toda sorte de problemas emocionais, pelo simples fato de não terem nada como "sistema operacional", que o ajude à gerenciar melhor, sua vida. 

Como conseqüência temos hoje, mais de 250.000.000 de usuários dependentes de drogas, em todo o planeta, um claro sinal que estão deixando os filhos à deriva e ainda lavando as mãos, num claro sintoma que, por mais trágico que possa parecer, os pais ainda sentem-se seguros em sua auto afirmação.   Alguns fatores "internos", ou seja, sem influência direta da sociedade, acabam contribuindo para mudança de posturas que, se persistindo no erro, mais tarde se refletirão em desvios de conduta.

Entre alguns fatores que destrói um relacionamento com filhos está:

a) Pensar como adultos em relação à filhos pequenos;
b) Não ouvir os filhos antes de julgá-los e "sentenciá-los";
c) Mostrar-se indiferente aos problemas que passam;
d) Decidir por eles ao invés de ajudá-los nas decisões;
e) Esconder problemas que eles certamente sabem que existe;
f) Compensar ausência física em vez de manter presença psicológica;
g) Descontar nos filhos problemas pessoais, sem se desculpar;
h) Achar que ofensas que fazemos ou dizemos à eles, não ficam marcados;
g) Tomar partido em brigas em vez de induzi-los ao entendimento comum.


É difícil saber de que forma que as crianças vem ao mundo, pois que o nosso inconsciente nasce junto com a formação do cérebro do feto, ainda no útero e desde então já começa registrar todos os momentos do corpo que o abriga.  Pequenos sustos, discussões da mãe, brigas severas com alto estado de tensão, com palavrões e ameaças verbais (também sentido pelo feto); tentativas de aborto, etc., tudo é registrado e de alguma forma e (à depender do grau de intensidade) vai influenciar na criança, depois de nascida e também na fase infantil e/ou adolescente.

O "ambiente" externo às residências, não apenas influencia mas acaba concorrendo com tudo que passamos aos filhos como formação e educação.  Nas ruas estão todos os modelos de comportamento e numa quantidade assombrosa, que acaba colocando em xeque tudo que ensinamos.  Compactando esse ambiente externo temos as salas de aula de colégios e faculdades (além dos próprios), com inúmeros modelos de família e educação.

Já pensaram na complexidade que é educar e formar os filhos para viverem num mundo tão complexo ?   Não é à toa a existência de um caos global, com diversas formas de ameaça à nossas vidas.    Ameaças feitas não por países, partidos, seitas ou crime organizado.  Ameaças feitas por pessoas que os defende e protege, pessoas que já fizeram parte de uma família e que, por alguma razão os abandonou.  Não precisamos pensar de formal global (se achar que estou sendo radical).  Podemos pensar em região, sua região, seu estado, sua cidade, suas próprias facções de crime.

Não estou escrevendo isso para tentar recuperar os que estão perdidos, mas para conter a fuga e perda de mais filhos.  Filhos que podem se perder mesmo morando debaixo do mesmo teto, porque os pais mal sabem o que eles fazem ou com quem eles andam e, quando conseguem descobrir, muitas vezes já é tarde pra que o algum mal seja evitado.

A família é o Epicentro do mundo, todos os males que recaem sobre as famílias foram produzidos por ela própria, tempos atrás.  É como jogar os filhos pro alto sem saber onde e como cairão.  Antes da família vem o conceito que se faz da mesma.  O que entendemos  por família ?   A resposta não anda correspondendo as expectativas dos filhos, que estão sentindo-se largados  feito compartimento de foguete à lua, antes mesmo de deixar o solo.  A concepção de família, hoje, estão muito aquém da idéia que se tinha à cinqüenta anos atrás, quando havia um único padrão familiar, com raríssimas exceções.

A pergunta que fica é:   Qual a concepção que os novos casais tem, do que chamam de família ? Quando está previsto começar à se afastar dos filhos pra cuidar dos próprios interesses ?  Em algum momento pensam em retomar a relação afetiva com eles ou vão continuar à tratá-los como estimação ?

Pensem nas respostas, porque delas poderá depender o futuro de vocês e, quem sabe, da humanidade.

Professor Amadeu Epifânio
Pesquisador / Psicanalista

PERSONALIDADE REATIVA COMPORTAMENTAL
Influência Pregressa em Respostas Emocionais

              

                 Corrigindo Passos para um Caminho + Seguro.